5.000 anos de história e a pressa de quem não tem tempo a perder: notas de quem voltou à China um ano depois

Durante uma visita à sede do Alibaba, vi um vídeo que resume a China melhor do que qualquer estatística. Era uma comparação entre duas edições da Gala do Ano Novo Chinês, a tradicional celebração transmitida pelo governo para centenas de milhões de pessoas. Na edição de 2025, robôs humanoides desfilavam fazendo movimentos básicos: cadenciados, coreografados, com aquele ar de demonstração de máquinas ainda sendo testadas em público. Na edição de 2026, os mesmos robôs estavam lutando kung fu com crianças no palco. Em apenas doze meses, saíram de passos ensaiados para artes marciais ao vivo, interagindo com humanos. E essa foi a grande lição da viagem: na China, um ano não é um ano. É um ciclo completo de evolução tecnológica. Robôs saíram do palco e entraram no shopping Os números ajudam a dimensionar. A China produziu mais de 773 mil robôs industriais em 2025 e concentra cerca de 54% das instalações globais. Mas o dado que realmente impressiona é outro: foram quase 13 mil robôs humanoides produzidos no mesmo ano, com mais de 80% das instalações mundiais acontecendo em território chinês. Só que estatística não captura o que eu vi num shopping center: uma loja da Unitree, entre marcas de moda e eletrônicos, vendendo robôs humanoides e quadrúpedes para o consumidor final. Hoje, comprar um robô na China é um programa de fim de semana. Por enquanto, o uso é mais lúdico do que prático, mas a julgar pela velocidade de evolução que presenciei entre uma Gala e outra, o robô doméstico fazendo serviços de casa está logo ali. A primeira loja de varejo dedicada inteiramente aos humanoides, a Unitree, já existe. O e-commerce virou conversa A segunda grande virada de um ano para o outro foi o conversational commerce. Em 2025, a IA generativa no varejo chinês ainda era assistente coadjuvante. Em 2026, ela virou a principal interface de compra. O exemplo mais claro é o do Alibaba com o Qwen, hoje o LLM aberto mais utilizado do mundo. No Taobao, o “AI Mode” transformou a jornada: o consumidor conversa, pede sugestões, refina preferências e fecha a compra sem nunca navegar por categorias ou filtros. Meu amigo Alberto Serrentino fez essa experiência: “pedi um hambúrguer, comprei um iPhone e reservei um quarto de hotel conversando com uma IA e ela resolveu tudo, do carrinho ao pagamento”. Não à toa, 70% dos consumidores já usam IA para fazer compras, e o live commerce atingiu 36% de todo o e-commerce chinês. A lógica inverteu de vez: não são mais consumidores buscando produtos, são produtos encontrando clientes. A vantagem estrutural: gente e aceitação Nada disso é acidente. A China forma 3,6 milhões de graduados em STEM por ano, 40% do total mundial, contra 820 mil dos Estados Unidos. São 1,3 milhão de engenheiros formados anualmente, dez vezes mais que os 130 mil americanos. Para efeito de comparação doloroso: o Brasil forma 40 mil engenheiros por ano e 120 mil advogados. Em patentes de IA, o placar é igualmente assimétrico: a China acumula 1,58 milhão de patentes registradas (38,6% do total mundial) e protocolou mais de 300 mil pedidos só em 2024, contra menos de 68 mil dos EUA. Mas o que mais me marcou não cabe em estatística: é a aceitabilidade do público. Lá, IA não gera desconfiança, gera orgulho e existe até um termo para isso, AI Pride. Crianças aprendem IA com material didático no ensino fundamental. Drones entregam comida em parques. Robôs circulam em lojas sem causar espanto. A tecnologia não é debate, é cotidiano. E os carros elétricos confirmam o padrão A liderança se repete sobre rodas. A China produziu entre 15,5 e 16 milhões de veículos elétricos em 2025, algo entre 71% e 75% da produção global. Dos 20,7 milhões de EVs vendidos no mundo, 12,9 milhões foram vendidos na China: de cada 10 elétricos vendidos no planeta, mais de 6 são vendidos lá. Metade dos carros novos no país já é eletrificada. A China sozinha vende mais veículos elétricos do que Estados Unidos, Europa e o resto do mundo somados. Um ano que vale uma década A pergunta que me fizeram quando voltei foi: “vale a pena ir à China de novo num intervalo tão curto?” Minha resposta: é justamente no intervalo curto que está o aprendizado. Visitar a China uma vez impressiona. Voltar um ano depois assusta, porque você percebe que a velocidade não é retórica, é método. Como diz um dos valores do grupo Alibaba: o melhor desempenho de hoje é a linha de base de amanhã. Saí do aeroporto em São Paulo com uma sensação estranha, que demorei a nomear. Não foi jet lag. É que eu não tinha atravessado apenas doze fusos horários, eu tinha voltado do futuro. E o mais inquietante: lá, esse futuro já é o presente de mais de um bilhão de pessoas.
IA, Conexão e Consciência: Os Grandes Debates do SXSW 2026

Mais uma vez participei do South By Southwest (SXSW), um dos maiores festivais de inovação, música e cinema do mundo, realizado em Austin, no Texas. O evento reuniu mais de 309 mil participantes de 95 países e contou com 3.409 palestrantes para debater o futuro da criatividade e da tecnologia. Com o foco central na inovação, os debates que mais me impactaram este ano se concentraram em três pilares: Inteligência Artificial, Saúde Social & Conexão e Consciência. Compartilho aqui o que ouvi, refleti e estou levando de volta para o meu dia a dia. Inteligência Artificial A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma novidade técnica para se tornar um motor de mudança cultural. Como a IA está tornando a execução de tarefas cada vez mais barata, percebi que o verdadeiro diferencial humano e das organizações passa a ser o fator cultural. A coordenação agora se delega à IA, enquanto a cultura permanece com os humanos. Esse barateamento chegou ao ponto em que prototipar se tornou mais barato do que fazer sessões de ideação em equipe. No entanto, a mudança mais profunda está acontecendo em silêncio: a internet está sendo reconstruída para ser usada por agentes virtuais, não por pessoas. Assim como estamos caminhando para o lights out industrialism, um mundo onde fábricas funcionam sozinhas, sem trabalhadores, o que levanta grandes dúvidas sobre o futuro do emprego e da humanidade. Diante disso, o conselho do festival é direto: mais importante do que aprender a usar as ferramentas de IA é mudar a forma de pensar. Em vez de apenas melhorar o que já existe com IA, é preciso criar sistemas completamente novos. Apesar de todas essas incertezas, nem todo o futuro desenhado pela IA é sombrio e talvez o exemplo mais simbólico disso seja uma pergunta que parecia coisa de ficção científica: você já imaginou poder entender o que os animais falam? A promessa é que tudo o que puder ser traduzido, será traduzido, incluindo a linguagem de plantas e animais. Com os embeddings funcionando como uma ponte técnica para decifrar esses idiomas ainda desconhecidos, a IA assume um caráter empático e nos aproxima de outros seres vivos. No fim, talvez seja esse o convite que a tecnologia nos faz: em vez de apenas automatizar o que já conhecemos, expandir radicalmente o que somos capazes de compreender. A Crise de Conexão e a Saúde Social Outro ponto de atenção que levei do SXSW foi sobre a nossa infraestrutura de relacionamentos: a conexão deixou de ser apenas uma “soft skill” e passou a ser vista como infraestrutura básica. Não à toa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu recentemente a saúde social como um pilar fundamental, posicionando-a ao lado da saúde física e mental. Os dados apresentados explicam a urgência do tema: Cerca de 871 mil mortes por ano já são atribuídas à solidão. 1 em cada 4 pessoas no mundo se sente sozinha com frequência. Quase metade da Geração Z (49%) relata ter algum tipo de relação com uma IA, seja ela de amizade ou amorosa. 37% das pessoas consideram possível se apaixonar por uma Inteligência Artificial. Nesse cenário de vulnerabilidade, a IA surge como uma potencial ameaça ao tecido social. À medida que substitui interações humanas autênticas, ela pode gerar ainda mais solidão e dependência. O grande risco é o afeto se tornar um produto vendido por assinatura, o que foi resumido em uma dura frase dita no evento: “Solidão é o mercado, dependência é o produto”. Esse comportamento se reflete em um fenômeno crescente: a busca por itens dos anos 90 e anteriores. A análise feita por Jennifer B. Wallace é de que estamos voltando a dar importância para esses objetos porque no fundo estamos procurando a sensação de conexão que sentíamos naquela época. Inspirados nessa ideia de pertencimento, estamos repensando algumas práticas internas aqui no Looqbox. Uma delas é a substituição das avaliações 1:1 por feedbacks 360, criando mais conexão interpessoal e reforçando o senso de grupo entre os looqers. Consciência e Novas Fronteiras da Mente Por fim, acompanhei as palestras sobre os mistérios da mente humana e os estados alterados de consciência. Partindo da premissa de que a consciência é um fenômeno privado e que atribuí-la aos outros é sempre uma inferência , debateu-se como duas pessoas podem experienciar a mesma realidade de formas completamente distintas. Nesta trilha, a legalização da psilocibina, que já é realidade em 3 estados norte-americanos, com mais 12 a caminho, ganhou destaque, em palestras como “Decoding Consciousness, Psychedelics and the Mind” (Christof Koch) e “The Founder ‘s Edge” (Jeremy Falcon). A legalização de terapias com psilocibina já é uma realidade desde que conduzidas por um facilitador credenciado. Longe do estigma, essas substâncias estão sendo estudadas seriamente por sua capacidade de quebrar padrões emocionais e atuar como alavancadores de criatividade, resiliência e liderança consciente. Grandes nomes da tecnologia, como Steve Jobs, Bill Gates e Sam Altman (OpenAI), assim como vencedores do Prêmio Nobel, como Francis Crick e Kary Mullis, já declararam publicamente o uso de psicodélicos,como LSD e psilocibina, para potencializar o processo criativo e o desenvolvimento pessoal. No geral, a experiência da consciência alterada foi discutida por Christof Koch como algo profundamente transformador, capaz de trazer: Um senso de sagrado e unidade. A dissolução completa da fronteira entre o mundo interno e externo. A perda do senso de si, conhecida como “ego dissolution”. A transcendência de noções de tempo e espaço. Uma positividade desvinculada de qualquer causa externa. O aumento da neuroplasticidade, possibilitando reinterpretar experiências passadas e extrair novos aprendizados. No centro de todos esses debates, existe uma tensão que vai além da tecnologia. A inteligência artificial pode baratear a execução e assumir a coordenação, mas não carrega o que sustenta a humanidade: cultura, pertencimento e sentido. Quanto mais delegamos às máquinas, mais somos chamados ao que nos torna humanos, a forma como nos relacionamos, as histórias que criamos e a profundidade com que habitamos a própria mente.
10 obras que recomendo para entender melhor a IA

“Murta, o que você recomenda para entender mais sobre Inteligência Artificial?” — essa é uma das perguntas que recebo com frequência, seja de amigos ou do público nas minhas palestras. Em uma delas, costumo mostrar um slide com livros que me marcaram por explicarem algum conceito, aplicação ou aspecto histórico da IA. Mas como o tempo no palco é curto, nunca consigo comentar cada um como gostaria. Por isso resolvi escrever este artigo — um espaço vivo, que vou atualizando conforme novas leituras me impactam — com breves descrições das obras que mais contribuíram para minha visão sobre Inteligência Artificial. A Singularidade Está Mais Próxima – Ray Kurzweil Classificação: conceitual | Técnico: um pouco Kurzweil explora o ponto em que a inteligência artificial ultrapassará a humana, gerando uma transformação radical na civilização. Ele prevê a fusão entre biologia e tecnologia, onde humanos poderão ampliar suas capacidades mentais e físicas por meio de máquinas. O autor defende que a singularidade não é uma ameaça, mas uma oportunidade para transcender os limites da mente e da matéria. Nexus – Yuval Noah Harari Classificação: conceitual / civilizacional | Técnico: não Em Nexus, Harari expande suas ideias sobre a fusão entre humanos e tecnologia, descrevendo um futuro em que a inteligência artificial e a biotecnologia se tornam indistinguíveis da própria natureza humana. Esse livro mudou minha forma de enxergar o papel da informação, e é quase um contraponto ao livro de Kurzwweil acima. O autor argumenta que estamos entrando em uma era pós-humanista, na qual algoritmos compreenderão nossos desejos melhor do que nós mesmos. Com sua clareza habitual, ele alerta para os riscos éticos e políticos dessa nova etapa da civilização, onde o poder será determinado por quem controlar o “nexus” entre mente e máquina. A Próxima Onda – Mustafa Suleyman Classificação: conceitual / civilizacional | Técnico: não Co-fundador da DeepMind, Suleyman discute a era das “tecnologias fundacionais” e como a biotecnologia e a IA moldarão governos, economia e ética global. O livro alerta para o poder concentrado nas mãos de quem controla algoritmos e propõe novas estruturas de governança para evitar abusos. Ele combina análise técnica e reflexão política sobre o impacto civilizacional da IA. What is ChatGPT Doing – Stephen Wolfram Classificação: analítico | Técnico: totalmente Wolfram disseca o funcionamento interno dos modelos de linguagem, explicando como o ChatGPT transforma estatística e probabilidade em algo que parece raciocínio. O autor usa analogias matemáticas e computacionais para demonstrar que a IA não “pensa” como humanos, mas sim prevê palavras com base em padrões complexos. É uma análise técnica e acessível sobre o cérebro das LLMs. AI for Retail – François Chaubard Classificação: aplicado | Técnico: sim Chaubard aborda como a inteligência artificial redefine o varejo, otimizando estoques, precificação e experiência do consumidor. Ele demonstra que o uso estratégico de dados transforma cada interação em uma oportunidade de personalização e aumento de margem. Gostei da metodologia dos 3 Es na implementação da IA (Educar, Eplorar e Executar), e do foco no ROI. O foco é prático: usar IA para vender mais e operar melhor. Revolução Quântica – Michio Kaku Classificação: conceitual | Técnico: um pouco Kaku guia o leitor pela história da física quântica até sua fusão com a IA e a biotecnologia. Ele propõe que a próxima revolução tecnológica surgirá da união entre o mundo subatômico e o digital. Com linguagem clara, o físico mostra como a mecânica quântica pavimenta o caminho para computadores de próxima geração. Não foca tanto na explicação do que é computação quântica, e sim em suas aplicações. Inteligência Artificial no Varejo – Eduardo Terra Classificação: aplicado / prático | Técnico: não Terra traduz o impacto da IA na rotina do varejo brasileiro, mostrando casos reais de empresas que utilizam dados para prever demanda e personalizar ofertas. Extremamente acessível, e de leitura rápida, o livro foca na transformação cultural necessária para adotar tecnologias de forma efetiva. É um guia prático para líderes que desejam integrar IA ao dia a dia da operação. A Arte de GPTear – Rodrigo Murta Classificação: aplicado / prático | Técnico: acessível Foi o primeiro livro em português dedicado ao uso prático de modelos GPT. Nele ensino como conversar com IA de forma eficaz, criando prompts que geram valor real em negócios e aprendizado. A obra combina técnica, filosofia e storytelling, mostrando que dominar o diálogo com máquinas é a nova habilidade do século XXI. 2041 – Kai-Fu Lee Classificação: conceitual / aplicado | Técnico: acessível Kai-Fu Lee imagina dez histórias ambientadas em 2041, cada uma baseada em uma aplicação concreta da IA — de diagnósticos médicos a justiça automatizada. As narrativas unem ficção e realidade para ilustrar as implicações éticas e sociais do avanço tecnológico. É uma reflexão otimista e humana sobre o futuro moldado pela inteligência artificial. Excelente para iniciar no vocabulário da inteligência artificial. A Guerra dos Chips – Chris Miller Classificação: geopolítico / estrutural | Técnico: acessível Neste livro, Chris Miller revela como o domínio da fabricação de semicondutores se tornou o campo de batalha mais estratégico do século XXI. Ele narra a ascensão de empresas como TSMC, Intel e Samsung, e explica por que microchips estão no centro da rivalidade entre Estados Unidos e China. Com profundidade histórica e clareza geopolítica, Miller mostra que o futuro do poder global depende não apenas de armas ou petróleo, mas dos átomos de silício que movem a economia digital moderna.
Sora 2: A Nova Era da Geração de Vídeos com Inteligência Artificial

A OpenAI anunciou o Sora 2, seu mais avançado modelo de geração de vídeo e áudio. A nova versão é mais fisicamente precisa, realista e controlável do que os sistemas anteriores. Agora, além de visuais cinematográficos ou estilizados, a ferramenta gera diálogos sincronizados, efeitos sonoros e paisagens sonoras completas, elevando o realismo a um novo patamar. Tudo isso pode ser explorado no novo aplicativo Sora . Assista aqui! Do “momento GPT-1” ao “momento GPT-3.5” do vídeo O Sora 1, lançado em fevereiro de 2024, foi considerado o “GPT-1 do vídeo”: o marco em que a geração começou a funcionar com permanência de objetos e consistência mínima. Já o Sora 2 é comparado ao “GPT-3.5 do vídeo”, capaz de executar ações antes impossíveis para outros modelos — como rotinas olímpicas de ginástica, mortais em pranchas de stand up paddle respeitando a física de flutuação e rigidez, ou até um triplo axel com um gato agarrado ao patinador . Principais avanços do Sora 2 Segurança, identidade e bem-estar O app foi projetado com foco em segurança e bem-estar digital. Os usuários têm controle total sobre seus cameos, podendo definir quem pode usá-los e revogar permissões a qualquer momento. Para adolescentes, há limites automáticos de uso diário e controles parentais integrados. Além disso, a recomendação de vídeos no feed prioriza conexões sociais e inspiração criativa, não tempo de tela . Disponibilidade e próximos passos Para o app de rede social ainda vamos ter que esperar um pouco no Brasil, o aplicativo Sora já está disponível para iOS nos EUA e Canadá, em formato de acesso com convites. Cada novo usuário pode convidar quatro amigos, incentivando a experiência em grupo. A versão Android está em desenvolvimento. Além do app, será possível acessar o Sora 2 via sora.com e, em breve, por meio de API. O modelo estará disponível gratuitamente em fase inicial, com limites generosos de uso; usuários do ChatGPT Pro terão acesso ao Sora 2 Pro, de maior qualidade. Conclusão Aparentemente, o Sora 2 não é apenas um salto técnico: representa o início de uma nova era de experiências co-criativas. Ao unir realismo físico, diversidade estética e controle criativo, o modelo pavimenta o caminho para simuladores gerais do mundo físico, fundamentais no avanço rumo à IA geral (AGI). Enquanto isso, promete trazer alegria, criatividade e novas formas de conexão social para milhões de pessoas.
Você teria um robô em casa? Mercado cresce e deve gerar trilhões de dólares por ano em pouco tempo

Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em: Times Brasil O mercado de robôs humanoides poderá alcançar até US$ 5 trilhões anuais até 2050, apontou um estudo da Looqbox, empresa brasileira especializada em inteligência de dados. O estudo mostrou que a tecnologia começa a ganhar espaço além de indústrias e serviços, com aplicações domésticas, ainda que em fase inicial. A trajetória deve seguir o padrão de outras inovações: “Assim como aconteceu com o automóvel e o smartphone, o humanoide tende a se tornar parte do dia a dia das famílias conforme a tecnologia amadurece e os preços caem”, afirmou Rodrigo Murta, CEO do Looqbox. Casos de adoção já em andamento O relatório cita iniciativas recentes de grandes empresas. A Tesla já começou a usar o robô Optimus em suas fábricas e projeta custos entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade. A americana Figure.ai, apoiada por Microsoft e OpenAI, firmou parceria com a BMW e estima produzir 100 mil unidades nos próximos anos. Na Noruega, a 1X testa centenas de robôs em residências. Já a chinesa UBTech apresentou um modelo voltado ao cuidado de idosos, com preço estimado em US$ 20 mil. Desafios de custo e desempenho Apesar dos avanços, os preços ainda são barreira para uma adoção em massa. Modelos industriais, como o Digit, da Agility Robotics, custam cerca de US$ 250 mil. Versões mais recentes já chegam à faixa de US$ 20 mil, e a expectativa é que a produção em escala reduza gradualmente os valores. O estudo também destacou obstáculos técnicos: autonomia limitada das baterias, em média de quatro a cinco horas; destreza manual inferior à humana; e dificuldades de navegação em ambientes domésticos não estruturados. Por isso, a adoção inicial segue concentrada em setores industriais, onde as condições são mais controladas.
Nano Banana e o futuro da edição de imagens na era da inteligência artificial

Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em: Early Adopter Em 26 de agosto de 2025, o Google lançou o Nano Banana, um modelo de inteligência artificial que está redefinindo a forma como editamos imagens. Diferente de tudo que já vimos, ele é capaz de alterar apenas partes específicas de uma foto sem comprometer o restante da cena — algo que até pouco tempo atrás exigia habilidade avançada ou horas de trabalho manual. Tive a oportunidade de experimentar essa tecnologia em situações muito pessoais. Num voo de drone (meu hobby), fotografei minha avó em seu quarto, mas havia uma grade na imagem. Com o Nano Banana, consegui remover a grade em segundos, mantendo todo o resto intocado. O resultado não foi apenas uma foto mais limpa: foi a sensação de proximidade, como se aquela barreira nunca tivesse existido. Em outra ocasião, usei o modelo para restaurar uma foto antiga do meu avô com minha avó. A imagem estava gasta pelo tempo, com marcas e falhas. O Nano Banana reconstruiu os detalhes com naturalidade, devolvendo vida a um registro que é parte da minha história familiar. Esses exemplos ilustram como a AI não está apenas transformando a produtividade dos criativos, mas também nossa relação emocional com as imagens. O que antes era limitado a especialistas agora está ao alcance de qualquer pessoa com uma boa ideia — ou um desejo de preservar memórias. A distância entre a ideia e a sua materialização se encurta no tempo, e a expressão, “a palavra tem poder”, ganha uma conotação mais forte do que nunca. Na prática profissional, isso já vem mudando o padrão. Aqui no Looqbox, estamos usando o Nano Banana em nossas peças para Instagram e LinkedIn. O impacto é claro: conteúdos mais sofisticados, produzidos em menos tempo, e com uma consistência visual que eleva o patamar da comunicação. A união anunciada hoje do Nano Banana com o ecossistema de ferramentas como o Photoshop abre um novo capítulo na indústria criativa. Não é apenas sobre editar imagens com mais rapidez; é sobre permitir que cada criador, seja um fotógrafo amador ou uma agência global, explore novas formas de expressão. E talvez seja justamente aí que esteja a revolução: a tecnologia deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser uma ponte — entre gerações, entre memórias, entre o que imaginamos e o que podemos criar.
Estudo do MIT: O que outros especialistas dizem sobre os 95% de insucessos em IA

Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em: Intelligence.garden Uma pesquisa recente do MIT (Massachusetts Institute of Technology) revelou um dado alarmante: 95% dos projetos de inteligência artificial generativa não conseguem acelerar a receita das empresas. À primeira vista, o número sugere um cenário de fracasso generalizado. Mas, na prática, ele pode dizer mais sobre a forma como o sucesso é medido do que sobre a efetividade da tecnologia. Rafael Franco, da Alphacode Para analisar os dados de forma crítica, o Portal Intelligence.Garden ouviu especialistas em inovação e transformação digital. A conclusão é que, embora os números causem desconforto sob a ótica da receita, eles não configuram um “desastre da IA”. Pelo contrário: refletem sobretudo a imaturidade das organizações no uso da tecnologia.“Muita gente implementa IA com a expectativa de resultado rápido no caixa, mas sem pensar direito no problema que está tentando resolver. A IA pode trazer valor de várias formas, e nem todas aparecem como aumento direto de receita”, afirma Rafael Franco, especialista em tecnologia da informação e CEO da Alphacode, empresa que desenvolve projetos no ambiente mobile, “Ao medir apenas impacto imediato na receita, é natural que o índice pareça negativo. O que vemos, na prática, são expectativas desalinhadas: a IA generativa tem grande potencial, mas exige integração, adaptação cultural e tempo para maturar antes de gerar resultados financeiros consistentes”, diz Cleber Brito, diretor de Segurança e Tecnologia da Informação da Foundever, líder global em experiencia do cliente. João Paulo Ribeiro, do Grupo Inove Receita não é tudoSegundo o estudo, a métrica central foi o impacto direto sobre faturamento. Porém, ao olhar apenas para esse indicador, ficam de fora ganhos intangíveis, mas igualmente relevantes, como eficiência operacional, redução de custos, insights mais ágeis e aprendizado organizacional. Rafael Franco ressalta que, em muitos projetos acompanhados por ele, os maiores benefícios vieram justamente da eficiência: menos retrabalho, maior agilidade e melhor qualidade nas decisões. “Tudo isso tem valor, mesmo que não vire receita no curto prazo”, diz. “Também tem um efeito importante de aprendizado: o time começa a entender como trabalhar com IA, o que já é um passo enorme pra criar uma cultura digital de verdade”, diz. João Paulo Ribeiro, especialista em cultura organizacional e CEO do Grupo Inove, avalia que medir o sucesso da IA apenas pelo impacto imediato na receita é um equívoco. Para ele, esse recorte desconsidera o tempo necessário para a maturação tecnológica e a adaptação cultural. Muitas iniciativas ainda estão em fase de aprendizado organizacional e, por isso, não podem ser julgadas apenas pelo retorno financeiro de curto prazo. Cleber Brito, da Foundever, aponta que automatizar tarefas repetitivas, acelerar análises e apoiar decisões mais embasadas já gera valor significativo, ainda que não apareça imediatamente no faturamento. Esses ganhos são o alicerce para o crescimento futuro. Contextos diferentes, realidades distintas Outro ponto levantado é que o recorte das empresas avaliadas pode não ser representativo. Enquanto multinacionais contam com equipes de dados robustas e infraestrutura consolidada, médias empresas e mercados emergentes, como o Brasil, ainda enfrentam barreiras mais básicas — desde a falta de organização dos dados até times enxutos e limitações orçamentárias. “O relatório traz uma amostra ampla (52 entrevistas, 300 iniciativas, 153 líderes), mas reconhece limitações: tende a refletir as maiores corporações globais e setores visíveis, deixando de fora especificidades de mercados emergentes como o Brasil”, diz Rodrigo Murta, CEO do Looqbox. “O recorte certamente influencia” diz João Paulo Ribeiro. Grandes corporações em mercados maduros lidam com legados tecnológicos e estruturas pesadas de governança. Já em países emergentes, como o Brasil, há mais flexibilidade e menos camadas de aprovação, o que acelera testes e adoção. “Analisar apenas grandes empresas globais pode distorcer a leitura real do impacto”, opina. “Empresas médias ou de mercados emergentes como o Brasil têm maior flexibilidade e abertura para experimentação. Isso significa que os números globais não podem ser interpretados de forma homogênea, pois os contextos são muito distintos”, analisa Cleber Brito. “Apesar do estudo do MIT trazer insights relevantes, ele não pode ser tratado como um estudo epidemiológico (que exige amostragem probabilística e critérios rigorosos de representatividade). Isso gera viés de seleção e reduz a representatividade para PMEs, startups e mercados emergentes, como o Brasil”, aponta Rodrigo Gava, CTO e co-CEO da Vultus, focada em cibersegurança. Cleber Brito, da Foundever Dilemas antigos, novos nomesEntre os obstáculos listados pelo estudo estão a falta de integração entre tecnologia e negócio e o fenômeno da “shadow AI” — quando colaboradores usam ferramentas sem supervisão da área de TI. Para o entrevistado, esses problemas não são exclusivos da IA generativa: já existiam na forma de “shadow IT” ou iniciativas desconectadas de estratégia. “A tecnologia só colocou uma lente de aumento sobre dilemas de gestão que sempre estiveram aí”, explica Rafael Franco. “A diferença agora é que o fenômeno do “shadow AI” ficou mais evidente, porque a facilidade de uso da IA coloca ferramentas poderosas nas mãos de qualquer colaborador”, aponta João Paulo Ribeiro. “O que é novo na IA generativa é a escala e a natureza do “shadow AI” — funcionários adotando ferramentas pessoais (como ChatGPT) de forma massiva, à frente das iniciativas oficiais”, diz Rodrigo Murta.O ciclo do hype A trajetória da IA generativa parece repetir o ciclo vivido por outras grandes inovações, como a internet ou o big data: entusiasmo inicial, frustração com resultados e, depois, consolidação com aplicações mais realistas. Para Rodrigo Murta, da Looqbox, plataforma de Business IntelIigence (BI), o hype inicial faz parte natural do processo de inovação. “Sempre que surge uma nova tecnologia, há resistência e questionamentos. Quando inventaram a calculadora, muitos temeram que ninguém mais aprenderia matemática. A caneta esferográfica foi vista como o fim da beleza da caligrafia. A fotografia levantou dúvidas sobre o futuro dos retratistas. O mesmo acontece agora: estamos apenas passando por mais uma etapa desse ciclo de inovação e adaptação pelo qual a humanidade sempre atravessa”, compara. “Estamos vivendo um novo ciclo do tipo hype → desilusão → consolidação. Aconteceu com várias outras tecnologias. Primeiro vem a euforia, depois a frustração e, para quem continua, vem o uso mais maduro e realista. Isso
Os irmãos de Belém do Pará que sonham em organizar as empresas do Brasil

Os irmãos Rodrigo e Daniel Murta são donos do Looqbox, empresa de dados que acaba de anunciar a entrada no segmento de agentes de IA.
Feed Looqbox: usando Gen AI para falar a linguagem na operação

O Feed Looqbox é uma ferramenta que envia notificações personalizadas com insights acionáveis diretamente para celulares, ajudando empresas a otimizar sua operação. Usando IA generativa, ele comunica dados para aumentar o engajamento das equipes e melhorando a eficiência.
O que é visualização de dados e quais são seus diferentes tipos?

A visualização de dados transforma dados complexos em insights claros e acessíveis. Utilizando gráficos e tabelas, facilita a compreensão de padrões e tendências, auxiliando em decisões informadas.