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Por que Locaweb, DGF e HiPartners investiram no “Google dos indicadores corporativos”

Por que Locaweb, DGF e HiPartners investiram no “Google dos indicadores corporativos”

O Looqbox é conhecido como o "Google dos indicadores corporativos". No final do ano passado, recebeu um investimento seed pelas empresas Locaweb, DGF e HiPartners.

Rodrigo Murta
Rodrigo Murta

11/11 |

Leitura: 5 min

Em 2012, o empreendedor Rodrigo Murta, um mestre em física quântica, mas um programador por aptidão, trabalhava em um projeto com o supermercado St. Marche que envolvia abastecimento das lojas e inteligência de dados. “Uma dificuldade que eu senti foi como ter acesso aos dados de forma fácil”, diz Murta.

Foi assim que surgiu a ideia da Looqbox, uma startup que tem uma solução que é uma espécie de “Google dos indicadores corporativos” que Rodrigo fundou com o irmão Daniel. Não é exagero a comparação. A empresa pluga os dados corporativos de vários sistemas de uma empresa ao seu

sistema e responde às perguntas dos usuários em uma caixa de busca similar a do Google. “É algo tão simples quanto ‘dar um Google’”, afirma Rodrigo. Dez anos depois de Murta ter a ideia – e 35 clientes do porte como Via, Americanas, Embraer, Santander, Magazine Luiza, C&C, C&A, Fleury e, claro, o St. Marche – a Looqbox está recebendo seu primeiro cheque institucional, em uma rodada de R$ 15 milhões liderada pela DGF Investimentos, com a participação do fundo de corporate venture da Locaweb Company e da HiPartners.

Os recursos serão usados em duas frentes. A primeira é a evolução da tecnologia Plug & Ask, que viabiliza a implementação da solução em poucos minutos, integrando as diversas bases de dados da empresa – que pode ser do ERP até informações de funcionários do RH. “O produto tem uma interface simples e qualquer pessoa dentro da organização pode acessar para tomar uma decisão”, diz Frederico Greve, sócio da DGF Investimentos.

A segunda frente é a construção de uma máquina de vendas e marketing para escalar a solução e os clientes. “Estamos apostando na combinação desses fatores para acelerar a expansão da solução no mercado em 2023 e preparar o terreno para voos maiores fora do Brasil”, diz Rodrigo.

A entrada de Locaweb Company tem exatamente esse objetivo. A companhia, que vale R$ 6,4, bilhões tem um fundo de corporate venture capital com R$ 100 milhões para investir e já apostou em quatro startups. Ela conta com centenas de milhares de clientes que podem ser potenciais ‘prospects’ da LooqBox.

Rodrigo sabe que a sua ferramenta, que responde perguntas que vão desde a meta de vendas dos funcionários até a projeção de vendas e os dados financeiros, não é uma solução para empresas muito pequenas. “Mas a Locaweb pode nos ajudar em tecnologia e no small enterprise, companhias com 30 a 50 usuários.”

No caso da HiPartners, fundo que investe em retailtechs e que tem como sócios Walter Sabini Jr., Eduardo Terra, Alberto Serrentino e Germán Quiroga, todos profissionais com larga experiência no mercado de varejo, a ideia é abrir mais portas nesta área. “No Google, você acha dados do mundo todo. E nas empresas é um parto achar uma coisa básica”, afirma Sabini Jr. “Eles democratizam os dados corporativos.”

Interface semelhante a da busca do Google

A Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto, é um exemplo. Hoje, a solução da Looqbox é usada por 25 mil pessoas da rede varejista, desde os executivos da área corporativa até os vendedores, que podem acompanhar suas metas de vendas pesquisando na ferramenta através celulares e desktops como se estivessem perguntando ao Google.

Por ser fácil de escalar, o principal modelo de negócios da Looqbox é baseado no pagamento de um valor mensal por usuário que acessa o sistema. A startup tem também outra fonte de receita, através de consultoria que organiza os dados das empresas.

O potencial desse mercado é gigantesco. O uso de dados no Brasil deve gerar R$ 14,9 bilhões em 2022, com a maior parte dos recursos destinada à aquisição de soluções de big data e analytics, como os da Looqbox, segundo pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), em parceria com a consultoria americana IDC.

Com 55 funcionários, a Looqbox até agora sobreviveu sem capital de investidores institucionais e tem crescido, em média, 40% ao ano. A empresa gera caixa, é equilibrada financeiramente e conseguiu apoio de alguns investidores-anjo, como Paulo Veras, o fundador do aplicativo 99, o primeiro unicórnio brasileiro.

O primeiro grande contrato da empresa foi justamente com a Via, que fez uma antecipação de recursos de três anos de contrato, que garantiu o dinheiro necessário para empresa investir no produto e ao mesmo tempo crescer.

Em meio a liquidez de capital que irrigou diversas startups com aportes milionários ao longo de 2020 e 2021, o fato de a Looqbox seguir bootstrap era visto no mercado como algo ruim. “Hoje, é uma vantagem”, diz Rodrigo. Greve, da DGF, concorda. “É um negócio supereficiente do ponto de vista de capital e bastante escalável. E que crescem sem nenhum dinheiro de investidores institucionais.”

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Autor

Rodrigo Murta

CEO e cofounder Looqbox, autor de ‘Conversando com Robôs: a Arte de GPTear’

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